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Blocos de carnaval da região portuária do Rio se unem em ações de solidariedade durante a pandemia

Prata Preta e Escravos da Mauá auxiliam moradores da área com doações

· Notícias,Na Mídia

Fonte: O GLOBO

Na semana do carnaval, os blocos do Rio espalham alegria pelas ruas da cidade, mas, após a quarta-feira de cinzas, o que boa parte dos foliões não sabe é que o papel desempenhado pelas agremiações não termina com os festejos de momo. Com a disseminação do novo coronavírus, grupos tradicionais do carnaval carioca como o Cordão do Prata Preta e o Escravos da Mauá têm se organizado em ações de solidariedade para minimizar os danos da pandemia na vida dos moradores da Zona Portuária.

Diante das dificuldades impostas pelo isolamento social, o Cordão do Prata Preta organizou uma vaquinha com o objetivo de arrecadar fundos para doações de cestas básicas para os moradores da região. Inicialmente, a meta do bloco era fornecer 150 cestas, mas, no total, conseguiu doar 240 para famílias da Gamboa, Saúde, Santo Cristo, e dos Morros da Conceição, da Providência e do Pinto. Além do financiamento coletivo pela internet, o bloco conseguiu uma parceria com a ONG Ação Cidadania e com pessoas que doaram diretamente ao bloco.

— A gente até brincou quando começou a campanha, dizendo que nem tudo é carnaval, que temos que pensar no social, ajudar quem precisa. O bloco é sem fins lucrativos, começamos nosso carnaval já em março para arrecadar fundos. Temos uma estrutura razoável, reunimos os amigos e o público fiel que abraça o bloco e vamos em frente — afirma Fábio Sarol, um dos diretores do Prata Preta. — Estamos aí não só para o carnaval, mas para pensar no próximo. Vimos vários amigos e parentes partindo vitimados por essa doença e não adianta pensar no carnaval do ano que vem se nem sabemos se estaremos lá. O Prata Preta tem que deixar um legado.

'O Prata Preta não breca'

Como diz o bordão, "o Prata Preta não breca". O bloco é reconhecido pelas ações que desempenha na região. Após o carnaval deste ano, o grupo levantou fundos para auxiliar um músico que perdeu a casa num incêndio no dia do desfile, no sábado de folia. Além disso, os eventos realizados pelo Prata ao longo do ano, como as rodas de samba e o Arraiá (que este ano não acontecerá devido à pandemia), movimentam a economia local.

A ideia de fazer uma vaquinha para doar cestas básicas para famílias da região surgiu durante uma live feita pelo Bloco no dia do aniversário de Thaís Façanha e Daniel Macedo, que são "amigos do Prata". Na ocasião, Fábio Sarol organizou uma transmissão ao vivo do Prata Preta com uma sequência de músicas para comemorar o aniversário dos amigos, e a ideia de fazer a arrecadação para doar às famílias foi lançada.

— O samba é um movimento muito político, que fala do povo. Temos nosso momento de brincar, descontrair e também de passar pela pandemia de uma melhor forma, com um compromisso com o social — conta Thaís, que é médica de família e tem atuado no combate ao novo coronavírus como funcionária do Estado.

Escravos da Mauá

O compromisso com a região também é a tônica das ações do bloco Escravos da Mauá, que desfila no pré-carnaval. Criado em 1993 por funcionários do Instituto Nacional de Tecnologia, o Escravos tem feito doações com recursos do caixa do bloco para auxiliar a população de favelas como o morro da Pedra Lisa, atrás da Central do Brasil, no Morro da Providência.

Além de doações de quantias em dinheiro, o bloco já financiou a confecção de máscaras de pano para distribuir por essas regiões da cidade.

— Assim que começou o coronavírus, começamos a conversar com amigos e fundadores do bloco para fazer a doação. Tínhamos um dinheiro em caixa e vamos continuar doando até que a pandemia passe. Se todos os blocos fizessem esse trabalho com relação às comunidades de seu entorno, as coisas iam melhorar muito — afirma Izair Costa, uma das diretoras do Escravos da Mauá.

Carnaval como transformação social

Antes do coronavírus, o bloco já atuava em ações sociais na região, em parceria com ONGs locais. A organização "Entre o céu e a favela" é uma das parceiras do Escravos e tem impulsionado ações para obtenção de alimentos e kits de higiene para as favelas da região. De acordo com Cíntia Santanna, fundadora da ONG e moradora da Providência, a ajuda dos blocos é importante porque essas agremiações têm um potencial grande de mobilização.

— É muito importante que eles façam o redirecionamento de recursos para as ONGs que estão fazendo o acolhimento. Muito do recurso que arrecadamos entrou por meio da mobilização e da divulgação do bloco. O samba somos nós, nossas famílias. E é primordial entender que estamos na ponta fazendo o atendimento, mas precisamos que as doações cheguem. O carnaval também pode ser ursado como um arma de transformação social — opina.

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