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Incentivo à Leitura e formação de plateia: o Sarau Providencial e o Cineclube Morro da Providência

João Guerreiro







  Deputados elogiam trabalho da Ação da Cidadania 16/10/2003

O SR. GUILHERME MENEZES - Peço a palavra pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Carlos Abicalil) - Tem a palavra V. Exa.
O SR. GUILHERME MENEZES (PT-BA. Pela ordem. Pronuncia o seguinte
discurso.)

SENHOR PRESIDENTE, SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS

O dia 16 de outubro foi escolhido como o Dia Mundial da Alimentação pela FAO - Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação porque esse órgão foi criado nesse dia, no ano de 1945. A data foi aceita e é lembrada em mais de 150 países, buscando saídas para a fome no mundo, discutindo a segurança alimentar e medidas para garantir alimentos de qualidade e em quantidade suficiente para todas as pessoas. A meta da FAO era, até o ano de 2015, reduzir à metade a população faminta no mundo.

Está amplamente demonstrado que a fome no mundo não é uma questão de produção e produtividade de alimentos, apenas, por mais que seja correta a busca permanente pela elevação desses indicadores. Como afirmou Josué de Castro, "DENUNCIEI A FOME COMO FLAGELO FABRICADO PELOS HOMENS, CONTRA OUTROS HOMENS".

Segundo o diretor-geral da FAO, Jacques Diof, nos últimos anos a fome mundial diminuiu 14%, enquanto a produção de alimentos elevou-se 32%, significando que a maior parte do aumento da produção foi destinada para quem já está suficientemente alimentado. Continuam existindo mais de 800 milhões de pessoas vitimadas pela fome em seu estágio mais avançado, a fome crônica, o que representa quase 1/6 da população mundial. Esta constatação levou a FAO a refazer sua meta até o ano 2015, pois não será possível alcançá-la até lá.

Mas eu quero, neste Dia Mundial da Alimentação, lembrar algumas personalidades, organizações e programas pelo que têm realizado no combate à fome e à miséria no Brasil.

Inicio citando o próprio Josué de Castro, um dos mais importantes brasileiros do século 20, que dedicou sua vida a desvendar e denunciar as condições de vida de milhões de seres humanos, condenados a morrer de fome; morrer rápido, de fome aguda e total, ou corroídos silenciosamente pela fome crônica, não por causa da fatalidade das condições naturais, mas resultado das relações sociais, responsabilidade pura e exclusiva da ação política dos homens. Josué de Castro tornou-se a principal matriz no mundo sobre a endêmica problemática da fome, através de estudos como Homens e Caranguejos e Geografia da Fome.

Quero lembrar o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, o mentor do movimento Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, e o economista Maurício Andrade, o organizador dessa iniciativa criada em 1993 e que completou 10 anos em abril último, promovendo o Natal Sem Fome em todos os estados brasileiros e cujos Comitês foram muito além da campanha natalina. Certamente este exemplo de solidariedade e cidadania inspirou o Fome Zero, do Governo Federal.

Lembrar a Pastoral da Criança e a Senhora Zilda Arns, pelo muito que têm realizado no combate à desnutrição e pela redução da mortalidade infantil, através de iniciativas locais e inspiradas nos saberes populares.

Quero destacar também o Programa Mesa Brasil SESC, criado em 1994 em São Paulo com o objetivo de contribuir para diminuir o desperdício de alimentos e a fome e que hoje está atuando em 30 cidades dos 27 estados brasileiros, arrecadando e distribuindo 600 toneladas de alimentos por mês, que estariam sendo jogadas fora não fosse esse programa.

Finalmente, o Fome Zero, que já está implantado em mais de 1.200 municípios, lançado pelo Governo Federal mas que pertence a todos, pessoas e instituições, que acreditam no desafio lançado pelo Presidente Lula de que é perfeitamente possível todo brasileiro ter alimentação pelo menos três vezes ao dia, todos os dias.

Muito Obrigado, Senhor Presidente