Moradores se reúnem para organizar atividades do "Dia do Come Livro"
Gerlana Gomes, 36 anos, casada, mãe de uma filha de quatro anos, estudante de enfermagem do Centro Universitário Celso Lisboa, é uma das integrantes da Ocupação Zumbi dos Palmares, localizada em um prédio abandonado próximo à Praça Mauá, no Centro do Rio. Lá vivem 140 famílias, em sua maioria, ligadas ao Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), que ocupam o imóvel há cinco anos.
Em 2009, Gerlana e uma outra moradora procuraram a Ação da Cidadania e criaram o Comitê Zé Kéti, em homenagem ao artista que foi funcionário do antigo IAPETEC, hoje INSS, proprietário do imóvel utilizado pelos sem-teto. As atividades do comitê são dirigidas a cerca de 90 crianças, filhos dos moradores, todos alunos de escolas públicas da Região Portuária.

Gerlana (à direita) participa de dramatização com crianças da Ocupação
Antes da formação do comitê, segundo Gerlana, existia apenas o Espaço Cultural Zé Kéti, onde são realizadas atividades culturais, festas de fim de ano e outras comemorações, como o Dia das Crianças e o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, data da morte do líder Zumbi dos Palmares.
Com a doação dos livros arrecadados pela campanha Natal sem Fome dos Sonhos, foi criado no local um Espaço de Leitura, que funciona como uma biblioteca comunitária. Já os brinquedos se tornaram uma opção de lazer para as crianças da ocupação.
- O Espaço de Leitura já tem uns 400 livros, mas a maioria é livro pedagógico. Faltam livros de histórias para as crianças. Elas pegam os livros por iniciativa própria e depois de ler, devolvem – afirma Gerlana, que participou da Oficina de Mediadores de Leitura promovida pela Ação da Cidadania para capacitar as lideranças a realizar atividades de incentivo à leitura em suas comunidades.

A criação do Espaço de Leitura serviu de catalisador para o grupo de moradores, que se dispersou após as várias ameaças de despejo. Desde o início da ocupação, em 2005, todas as ações eram discutidas em assembléias e realizadas em mutirão, incluindo a pintura e limpeza do prédio e as refeições das famílias.
Para a coordenadora do Comitê Zé Kéti, o contato com a Ação da Cidadania possibilitou o resgate das ações coletivas. Um exemplo disso foi a organização do “Dia do Come Livro”, no início do mês de julho, que contou com a participação de muitos moradores, não só nas atividades como também na preparação do local do evento.
- A entrada para a Ação da Cidadania abriu muito a nossa mente, pra saber o que a gente ganha e o que se perde. Há três anos não existe mais o coletivo, a ameaça de despejo causou a desunião, mas quando a organização é bonita, isso une as pessoas. A união voltou. A sala aqui estava uma tristeza antes, agora está pintada, e quem pintou fui eu, as crianças e outros moradores - ressalta Gerlana, referindo-se ao espaço onde funciona a biblioteca comunitária.

Atividades do Dia do Come Livro na Ocupação
O evento teve também a contribuição de lideranças de outros comitês da Ação da Cidadania, que participaram da Oficina de Mediadores da Leitura e irão promover o “Dia do Come Livro” em diversas comunidades do estado, como parte integrante do curso. Até o fim do ano, já estão programadas atividades nos municípios de Queimados, Mesquita, Nova Iguaçu e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e em localidades da Zona Oeste e Zona Norte do Rio, entre outras.
Andréa Barreto andrea@acaodacidadania.com.br
Assessoria de Imprensa