Comitês em Ação

Genocídio da Juventude Negra

Roda de conversa contou com participação do pastor Henrique Vieira

Genocídio do Jovem Negro foi o tema da roda de conversa realizada no dia 14 de abril. Realizada mensalmente, participam cerca de 200 comitês locais da Ação da Cidadania para discutir educação popular para o desenvolvimento da cidadania e da não-violência.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que no Brasil 21.892 pessoas perderam suas vidas em ações policiais entre 2009 e 2016. Deste número: 99,3% são homens, 81,8% são jovens (entre 12 e 29 anos) e 76,2% são negros. Através de uma metodologia participativa, as lideranças locais, que atuam em bolsões de pobreza localizados principalmente na Zona Oeste do Rio e Baixada Fluminense, debateram sobre os motivos pelos quais os jovens negros são as maiores vítimas desse tipo de violência. Também discutiram o papel individual de cada cidadão e como sociedade civil para transformar essa realidade.

Foram criados 10 grupos com 20 pessoas que debateram a questão e apresentaram propostas. As principais foram:

- A necessidade de aprofundar o debate sobre racismo e desmistificar a ideia de que não existe preconceito;

- Levar informações aos jovens das comunidades e cobrar mais ações sociais do poder público, como oportunidades de cursos, qualificação e emprego;

- Levar educação política para as favelas, envolver os jovens nesse debate;

- Conscientização dos jovens negros das suas próprias capacidades, resgatar suas histórias, sonhos e valores;

- Avançar na implementação de políticas públicas, como educação pública integral de qualidade, cultura, esporte e lazer;

- Incentivar e mobilizar a sociedade como agentes de transformação, atuando como multiplicadores de informação, debatendo e propondo políticas públicas, acompanhando e fiscalizando o governo;

- Envolver as famílias e escolas na educação contra o racismo, ensinar a história e a cultura africana (Lei 10.639);

- Cobrar qualificação da polícia;

- Buscar respostas não violentas e buscar mecanismos que possibilitem a transformação pessoal e social simultâneas.

Pastor Henrique Vieira, encerrou o encontro reforçando a mensagem sobre a permanência da luta por justiça social:

“Pra superar a violência temos que disputar a vida de cada jovem negro e pobre que está em risco."

Vieira lembrou as marchas contra o preconceito racial lideradas por Martin Luther King Jr. e as conquistas obtidas a partir da mobilização popular.

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Notícia publicada em 17.04.2018